


Nascidos do ódio por esse sistema corrompido, o Pé de Galinha traz luz para assuntos obscuros e ignorados pela sociedade, direta e indiretamente relacionados com a nossa querida Desterro-SC, e conta com uma combinação tóxica entre letras agressivas e riffs ácidos embebidos em THC (Thrash Hardcore).
Composto pelos guitarras @higino.portella e @guiiilhotina, com a batera do @willbianchini, e com a voz e baixo do @rborges.s, a mensagem é transmitida com clareza e muito ruído.
Prepare-se para uma surra de verdades na sua cara.


Viveu, como um homem lendário
Em nome do pai, ele foi torturado
Nesse momento, foi eternizado
Como será lembrado
Torturado
Morto e sepultado
Todo fodido
Todo rasgado
Morreu, e ficou no passado
Nada de bom, deverá ser lembrado
Pega a sua cruz, e enfia no rabo
Cultuar a tortura, é adorar o diabo
Torturado
Morto e sepultado
Todo fodido
Todo rasgado
Violência, um cadáver pregado
Em dois mil anos, não será apagado
Instrumento de tortura
Sendo cultuado
É assim que será lembrado
Crucificado
Morto e sepultado
A música busca retratar a trajetória de um personagem icônico e milenar que, apesar de seus feitos e apelos, é lembrado pelos seus seguidores como um cadáver pendurado em paus cruzados no formato de uma cruz. Além disso, tenta evidenciar a ironia de simbolizar alguém que pregava o amor com o seu momento mais humilhante e deplorável.
Memória Cristã ilustra o que as religiões que se apropriaram de seu discurso fizeram com seu legado, apagando sua mensagem, e banhando com sangue sua história. Além de seu instrumento de tortura se tornar seu símbolo, e o momento de sua morte um monumento, o simbolismo envolvido abusa da crueldade em suas ilustrações, aproveitando-se inclusive de órgãos humanos.
A capa da música traz os quadros das chagas de cristo, retratando muito bem essa visão deturpada desenvolvida pela igreja e seus adoradores, e da primeira missa em terras brasileiras, marcando o início do fim de uma sociedade funcional e honesta. Ao fundo, um quadro ilustra os horrores liderados pela igreja. E criando equilíbrio, duas ilustrações antigas de cadáveres dissecados, com o tórax completamente exposto, onde seu coração, que está em chamas, com uma coroa de espinhos, e uma adaga como cruz cravada em suas artérias, recria o símbolo cristão do Amor de Cristo.

Poucos conhecem a triste verdade
Violenta e sombria história da cidade
Envolve mentira, envolve crueldade
Matando todos conforme a vontade
Pra garantir o terror orquestrado
Tenebroso epilético foi enviado
Anjos caçados, todos sequestrados
Prisão segura, todos fuzilados
Florianópolis
Cidade condenada
ao escárnio, Enterrada
em preconceito
Carnificina
Cidade nomeada
ao castigo, Eternizada
em desrespeito
Quase duzentos foram assassinados
Nossa resistência, todos dizimados
Inocentes, civis e militarizados
Naquele dia foram exterminados
Como castigo fomos batizados
Marcando pra sempre o dia macabro
Nossa identidade se torna um fardo
Vivendo à sombra de um sanguinário
Florianópolis
Cidade condenada
ao escárnio, Enterrada
em preconceito
Carnificina
Cidade nomeada
ao castigo, Eternizada
em desrespeito
Mais de cem anos sendo humilhados
Esse nome ainda não foi trocado
Outra cidade com mesmo passado
Era chamada de Stalingrado
Vamos encerrar o seu legado
Vazio, truculento e autoritário
Floriano morreu e já tá putrefato
E Desterro vive, livre, exorcizado
Florianópolis
Cidade condenada
ao escárnio, Enterrada
em preconceito
Carnificina
Cidade nomeada
ao castigo, Eternizada
em desrespeito
Por trás de um nome aparentemente inocente existe uma história trágica, marcada por sangue e autoritarismo, culminando no batismo de uma cidade com o nome do responsável pelo assassinato de seus habitantes mais influentes. A letra foi baseada principalmente no TCC O massacre de Anhatomirim, por Maurício Oliveira.
Muitos foram perseguidos, até serem presos e isolados em uma ilha, Anhatomirim, onde foram torturados e brutalmente espancados, e os que não foram fuzilados, foram deixados para morrer enquanto os corvos comiam sua carne. Não sem motivos, o nome florianópolis é rejeitado por muitos que conhecem sua origem.
De todos seus nomes, Nossa Senhora do Desterro, ou Desterro para os íntimos, foi seu último nome antes do castigo que a cidade seria submetida.
A imagem traz a silhueta da ilha de Anhatomirim, onde o massacre foi realizado, a ponte Hercílio Luz reformada ao centro, vinculando o fato à cidade e aos tempos atuais (onde o escárnio ainda nomeia a cidade), e diversos cadáveres cobertos por lonas pretas espalhados, representando nossas perdas e a mancha de sangue inextinguível que esse legado deixa.

Malditos quinhentos anos atrás
Nos invadiam tiraram a paz
Nativos mortos pra todo lado
Como indigentes foram sepultados
A peste ardia na pele inocente
E assim começou essa nação doente
Por isso que somos amaldiçoados
Sobre seu túmulo o país foi criado
Desmatam a mata a troco de bala
Tirando vidas como fossem nada
Nossa origem foi desgraçada
E a nossa gente colonizada
Nosso país é amaldiçoado
Sobre um cemitério ele foi montado
Nosso povo nativo que foi massacrado
Nosso país é amaldiçoado
Por isso devemos tomar o que é nosso
Utilizando os mesmos modos
Queimando os malditos até os ossos
Todos soterrados em seus destroços
O fogo ardia na pele culpada
Pra que a paz fosse restaurada
A maldição será quebrada
Sobre o cadáver dessa gente desgraçada
Baseada na lenda de que tudo que é construído sobre um cemitério indígena está amaldiçoado e fadado ao fracasso, a letra sobre a chegada pelo mar, em caravelas, do genocídio e doenças, cita ações como o desmatamento desenfreado e o extermínio indígena para ligar o passado ao presente, e mostrar o quão real uma lenda pode ser, quando nosso país foi construído sobre os cadáveres dos nossos antepassados.
Nunca devemos esquecer a origem de tanta desigualdade, injustiça e impunidade.
A imagem é composta por duas pinturas antigas, a mais externa e também ao centro representa nossas raízes sequestradas e muitas vezes também escravizadas, e entre elas retratando o início da devastação causada pela colonização das nossas terras por estrangeiros hostis.

No confinamento metálico
Perdeu metade do braço
Nas engrenagens expostas
Do maquinário do diabo
Pra ganhar dinheiro
Ele usa os outros
Se não voltar inteiro
Faz parte do jogo
Forjada no próprio inferno
No intuito do lucro
Engrenagem com sangue
É o que faz o produto
Pra ganhar dinheiro
Ele usa os outros
Se não voltar inteiro
Faz parte do jogo
Alma de abatedouro
Membros são decepados
É o moedor de carne
Que só mói o operário
Pra ganhar dinheiro
Ele usa os outros
Se não voltar inteiro
Faz parte do jogo
Alguns só perdem o dedo
Outros o braço inteiro
A fábrica não pode parar porque
O sacrifício é necessário
A inspiração pra essa música veio de um acidente de trabalho de alguém próximo, cuja ponta do dedo foi decepada durante a limpeza de uma máquina sem proteção em pontos de risco. Com visão clara do seu osso exposto, dirigiu-se sem auxílio, sozinho, de moto, ao hospital para ser tratado. A máquina sequer foi parada, quiçá reparada.
Esse não é um fato isolado, ao contrário, é mais comum que a frequência que caracterizaria um acidente. Arrancar um pedaço do operário passa a ser também uma forma de lucro, onde não se reinveste, do lucro recebido, na segurança dos próprios operários. E quando inapto pela falta dos membros mutilados, é ainda mais barato trocá-lo.
Aos que enxergam apenas números, o sangue derramado gera pesar apenas pelo custo em limpá-lo.
A arte ilustra, no fundo, a mistura de estruturas claustrofóbicas de aço e o queimar caótico de uma catástrofe em um complexo industrial, onde enclausurados, os operários convivem com o constante risco. Uma nota de sangue de 100 dólares projeta uma rampa de sacrifício, que alimenta um moedor de carne antigo com operários, lançados à morte. O moedor converte a carne de operário moída em dinheiro.

Toma cuidado com o diabo fardado
Pode não gostar do seu cigarro
Sobe o morro com o cu fechado
Desce o morro tá policiado
Tomou geral e foi escorraçado
Mas o bandido tá assegurado
Diabos fardados
Diabos fardados
Diabos fardados
Diabos fardados
Diabos fardados
Diabos fardados
No camburão morreu sufocado
Na câmara de gás foi exterminado
Mais um que morreu pro diabo fardado
Mais um cidadão foi fuzilado
Por 80 tiros do diabo fardado
A crueldade reina do seu lado
Nosso país é amaldiçoado
Diabos fardados
Diabos fardados
Diabos fardados
Diabos fardados
Diabos fardados
Diabos fardados
Abordando o tema da crueldade e despreparo policial, Diabo Fardado mostra que uma farda não torna ninguém santo, justo ou bom.
A incompetência de investigação, de emprego de proporcionalidade, de cumprir o dever de defender o cidadão desses muitos agentes que atuam nessas corporações, é refletido na insatisfação do próprio agente que, em troca, comporta-se como delinquente, sendo um agente do caos banhado a impunidade, corroendo com requintes de crueldade a sociedade que deveria proteger.
A ação da polícia, nos casos aqui retratados, não é eficaz contra a organização criminosa, porém é devastadora pra população. De um exemplo simples, onde um usuário é agredido frente as vistas grossas feitas aos marginais no mesmo recinto. Ou em um exemplo covarde, ocorrido em 2022, Genivaldo de Jesus Santos foi assassinado por três policiais que, mesmo no controle da situação, o enclausuraram no porta-malas de uma viatura e intencionalmente acionaram uma bomba de gás, transformando a contenção da vítima em uma câmara de gás. Assassinaram Genivaldo de forma agonizante: asfixiado. Ou mesmo no caso do músico Evaldo Rosa dos Santos, que em 7 de abril de 2019 foi fuzilado por 80 tiros enquanto dirigia com sua família no carro. Aliás, apesar de ter se popularizado os 80 tiros, foram um total de 257 disparos contra o veículo do músico, que sem aviso, foi alvejado pelas costas por quem deveria protegê-lo.
Na imagem, se destaca um policial com a sua aura diabólica, logo a sua frente, uma foto do veículo do músico Evaldo Rosa dos Santos após ser cruelmente alvejado, mais ao fundo no canto direito encontra-se a viatura onde Genivaldo de Jesus Santos foi covardemente assassinado, e como plano de fundo estão os 21 caixões de moradores inocentes, em uma chacina brutal realizada por policiais em 1993, onde se destaca o extermínio de uma família inteira como "queima de arquivo", pois um dos policiais teria invadido a casa sem baixar sua bala-clava. A chacina ficou conhecida como Vidigal Geral. De 93 à 22 nada mudou.

Escroto comprou como um objeto
Acorrentou na sacada do prédio
Logo cresceu e virou um inferno
Largou na rua o bucico sem teto
Sem um lugar pra poder se esconder
Rasgando sacola pra poder comer
Seguindo sem rumo e desorientado
Em pouco tempo terá acabado
Atropelado
Apedrejado
Envenenado
Mutilado
Subnutrido
Sacrificado
É seu destino
De abandonado
As larvas brotam de suas feridas
O resto do lixo é sua comida
Com outros cachorros briga pela vida
Instinto e estresse à fúria assassina
Jogado na rua, vivendo ao relento
Escaldando no sol, na chuva e no vento
Rasga Sacola é caos e tormento
A morte encerra o seu sofrimento
Atropelado
Apedrejado
Envenenado
Mutilado
Subnutrido
Sacrificado
É seu destino
De abandonado
Retratando um dos nichos mais afetados e mais ignorados da nossa sociedade atual, a música destaca os desafios que um cão de rua precisa enfrentar no seu dia-a-dia.
Como alma dessa música, representando sua essência, adotamos o cão Carlos Eduardo (Cadu), que após longos anos abandonado nas ruas da cidade, foi resgatado e viveu outros longos anos sendo devidamente amado e cuidado.
Em suas cicatrizes, a história de um cão dócil vivendo por conta própria é contada. A ponta de suas orelhas em fenda escondem as batalhas por restos de lixo. Os dentes da frente, gastos até a raiz, revelam a quantidade incontável de ossos que teve de roer. Seus traumas, onde até o simples ato natural de defecar era assustador o suficiente pra precisar ser feito escondido, mostravam como pode ter sido cruel sua experiência com sua primeira família. Os projéteis de chumbinho alojados no seu corpo representam a maldade da sociedade canalizada em inocentes indefesos. Isso que sabemos apenas o que suas cicatrizes contam. Seus olhos manchados, seus problemas de pele, seu organismo fodido, sua morte precoce. Tudo pela negligência de alguém.
Assim como o Cadu, que viveu na pele a realidade de um Rasga Sacola, representa a classe que intitula esse som, o título Rasga Sacola visa representar o cão de rua, que na sua dura realidade rasga inúmeras sacolas atrás de um resto de alimento apodrecido.
A letra descreve a história fictícia porém muito comum da vida triste e curta de um cão que foi adotado ainda filhote, que vivia preso na sacada do apartamento de seus tutores, e que ao atingir seu tamanho final foi abandonado. Como já dito anteriormente, a vida na rua pode ser implacável, resumindo-se a fome e sofrimento, o que é destacado no restante dos versos até o seu fim, onde a morte encerra seu sofrimento.
A imagem esboça em sobreposição as condições e consequências dessa vida em abandono. Ao fundo, cães enjaulados e amontoados. Em cada espaço entre as barras de aço, uma condição inevitável pra cada animal na condição de negligência, onde da esquerda pra direita representam respectivamente a seca, o frio intenso, as inundações e enchentes, o calor escaldante, o transito caótico e os lixões servindo seus banquetes de chorume com veneno. Em primeiro plano, a transparência de dois cães abandonados acorrentados um ao outro e presos, sem comida ou água.
Adote. Cuide. Ame.

O homem se sente o dono do tempo
E por egoísmo definiu seu valor
É guiado por seu contentamento
Independente pra onde ele for
Usa e explora até o vento
Sem jamais retribuir seu favor
Divide a raça em nome do lucro
E destrói o mundo em nome do horror
Na floresta o desmatamento
A água do mar é depuramento
A comida que come é puro veneno
O ar que respira te corrói por dentro
Vivemos num ambiente controlado
Que foi construído com ódio e rancor
Por homens velhos foi elaborado
Com um idealismo subversor
Te jogam lá dentro de olho vendado
Porque se enxergar não terá mais valor
Sobre a natureza ele foi criado
E sobre a vida vai se sobrepor
A força que move é do explorado
E quem é movido fica escorado
Vende a vida, não é valorizado
E se não der lucro é descartado
Com medo de se tornar indigente
O oprimido se curva ao que for
Construiu a ponte com suor e sangue
Mas ele nunca a atravessou
Chamam a Catedral de inocente
Mas fica enjoado se conhece o pastor
É assim que eles mandam na gente
Com o consumismo, crenças e terror
Mesmo que a gente viva o inferno
Os derrubaremos na base do berro
Eles planejam um futuro insano
Nenhum sistema é soberano

Porco explorador se embocou no mato
Achou promissor mas muito trabalho
Pegou um trator e chamou um otário
Agora isso aqui tá tudo condenado.
Mastiga a floresta pra abrir o espaço
Explode o solo pra fazer o buraco
Minera carvão com monstros de aço
E tudo em volta caindo aos pedaços.
O rio tá morto, enferrujado.
O rio sulfúrico, séculos condenado.
Carvão retirado pelo otário iludido
Carvão processado e o lucro obtido
Carvão foi queimado e o ar poluído
Tudo orquestrado pelo porco fodido.
Trabalha enterrado a mais de sete palmos
Sendo observado por todos os lados
Porco fica em cima pelos seus centavos
Mas nem sequer o ar pode ser respirado
O minerador teve que ser internado
Parte do pulmão ficou necrosado
Pó de carvão e enxofre inalado
Esse resultado já era esperado
Tá implodido, desmoronado.
Agonia e ódio, inferno soterrado.
Sem estrutura a mina desaba
Sem rota de fuga a maioria esmaga
Horas depois cem mortes contadas
E dessa vez sem volta pra casa
Porco imundo foi processado
Indenização ele deve ter pago
Onde era a mina foi arrasado
Nenhuma alma viva deve ter sobrado
Tá devastado, erradicado.
Silêncio profundo, vazio macabro.
Tudo destruído, nada importa.
Porco tá rico, e a cidade morta.
O Rio Carvão, em Urussanga - SC, é um exemplo muito claro dos efeitos esterilizantes que a mineração traz à vida. Era vivo e populado, bem como irrigava seus arredores. É morto e estéril, nada de seu laranja corrosivo prospera.
Do início ao fim, a mineração de carvão destrói. A destruição começa ao devastar o espaço que será explorado, dizimando a vida condensada na fauna e na flora, antes responsável pelo equilíbrio do ambiente. E continua ao triturar o solo e seus habitantes, criando pontos de possíveis subsidências.
Durante a extração, o carvão exposto em contato com a água gera diversos poluentes, como ácido sulfúrico, condenando o rio e o solo, exterminando tudo a sua volta. Os operários são condenados a respirar fuligem, trabalhar em condições insalubres por incontáveis horas, em um local em constante risco de desabamento.
Depois de extraído, o carvão é queimado liberando dióxido de carbono, óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre, partículas finas e outros poluentes na atmosfera. E o local utilizado pra extração, depois de considerado esgotado, é simplesmente abandonado, condenando seu futuro, e reforçando o desprezo pelo local, pela vida, e todos que vivem ao seu redor.
A capa mostra os resultados da mineração em baixo da terra, em cima da terra, e no ar. Ao fundo, representando o ar, uma fotografia do painel de Tiananmen, em Pequim, que mostra o nascer do sol, não mais visível devido a poluição. No meio da imagem, representando o solo, uma fotografia de Brumadinho, em Minas Gerais, região varrida por rejeitos de minério de uma barragem rompida. E no topo, representando o subsolo, uma das infinitas cicatrizes expostas espalhadas por aí.

Você abre as ponta
E você pega o beck
Dichava com as ponta
E bola com beck
Você pila o beck
Você ascende o beck
Você puxa o beck
E a brisa bate
Esse beck
foi o que me fudeu
Em uma bola
ele me transcendeu
Que paulada
não sei o que que deu
Viajei pra cacete
o cemitério rendeu

Realidade
Isolada da realidade
Macabra noção de sociedade
O muro separa da realidade
Onde a vida é dissimulada
Miséria e a fome são só figuradas
Desperdício no lixo
E o lixo trancado
Bem protegido
Do esfomeado
Mortos de fome ignorados
A comida apodrece bem do seu lado
Pobres fodidos são desconsiderados
Por estarem fora do seu cercado
Ninguém liga pra essa verdade
Macabra noção de sociedade
Realidade
Isolada da realidade
Em 2008 o documentário "Alphaville do lado de dentro do muro" foi gravado, exibindo um ponto de vista questionável, escancarando o estilo de vida dependente e incapaz regado à exagero e temperado com uma visão completamente distorcida da realidade, igualando a palavra "isolado" à "segurança", confundindo o natural com sintético a ponto de cultuar um muro e onde qualquer realidade diferente da sua é uma ameaça a ser combatida.
Esse documentário inspirou a letra, que explora outros nichos dessa mesma realidade baseada em uma lavagem cerebral proveniente da própria vivência, a qual não enxerga no próximo qualquer característica humana ou afetiva, que não desempenha empatia em nenhum grau, que é capaz de trancafiar o próprio lixo para evitar "bagunça", preferindo o apodrecimento de alimentos não consumidos a saciar um faminto, preferindo afogar o mundo em sucata e chorume a viver de forma sustentável. Com tantos recursos acumulados e teoricamente tanta inteligência concentrada por indivíduo, é espantoso não haver uma alternativa a essa insanidade.
A arte dessa música traz ao fundo uma foto que representa por si só a desigualdade social, com uma divisão grosseira que agride os olhos a tal ponto que a impressão gerada é a de se estar olhando para uma imagem editada. No centro, uma faixa que rasga essa máscara ilustrativa exibe de forma literal a fome e a mistura asquerosa de gula e avareza que há por trás de todo esse concreto.








Todos os itens de merchan foram feitos em casa, em uma impressora 3D, a fim de ajudar no custo de mixagem e lançamento do nosso disco.
Com a sua ajuda, faremos um disco lendário!
